sábado, 21 de dezembro de 2013

A equipa da BE-ESOD deseja a todos

              

                  NATAL

Acontecia. No vento. Na chuva. Acontecia.
Era gente a correr pela música acima.
Uma onda uma festa. Palavras a saltar.

Eram carpas ou mãos. Um soluço uma rima.
Guitarras guitarras. Ou talvez mar.
E acontecia. No vento. Na chuva. Acontecia.

Na tua boca. No teu rosto. No teu corpo acontecia.
No teu ritmo nos teus ritos.
No teu sono nos teus gestos. (Liturgia liturgia).
Nos teus gritos. Nos teus olhos quase aflitos.
E nos silêncios infinitos. Na tua noite e no teu dia.
No teu sol acontecia.

Era um sopro. Era um salmo. (Nostalgia nostalgia).
Todo o tempo num só tempo: andamento
de poesia. Era um susto. Ou sobressalto. E acontecia.
Na cidade lavada pela chuva. Em cada curva
acontecia. E em cada acaso. Como um pouco de água turva
na cidade agitada pelo vento.

Natal Natal (diziam). E acontecia.
Como se fosse na palavra a rosa brava
acontecia. E era Dezembro que floria.
Era um vulcão. E no teu corpo a flor e a lava.
E era na lava a rosa e a palavra.
Todo o tempo num só tempo: nascimento de poesia.
                                
                                     
in Manuel Alegre, Coisa Amar, 1976

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Estrela

 

                       O menino
    Neste solstício de Inverno ele vai nascer
     algures no mundo entre ruínas
     no lugar do não ser ele vai ser
     deitado nas palhinhas sobre as minas
     em todos os meninos o menino
     muçulmano judeu cristão
     o mesmo coração e um só destino.
           in Manuel Alegre, Dia de Natal de 2009
 

  20122013(004)

painel natalício
pelo prof. Rafael Tormenta e a aluna Filipa, do Clube de Teatro

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